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Quanto você realmente vai pagar a mais se seu score estiver abaixo de 600

Ao final deste artigo, você vai saber exatamente quanto você vai desembolsar a mais em juros ao financiar um carro em 2026 com um score de crédito abaixo de 600, e terá três ações práticas para melhorar essa situação antes de ir ao banco.

AP

Ana Paula Costa — Especialista em Crédito e Finanças

Mais de 10 anos de experiência em educação financeira e análise de crédito no Brasil.

Publicado em · Atualizado em

Imagine isso: você entra na concessionária, escolhe aquele carro que sempre sonhou, e na hora de assinar o contrato de financiamento descobre que a taxa de juros oferecida é quase o dobro do que você viu anunciado na televisão. Frustrante, não é? Pois bem, isso não é ficção científica. Acontece todos os dias com brasileiros que têm um score de crédito abaixo de 600.

A verdade é que seu score é como um cartão de visitas financeiro que você não vê, mas que o banco vê — e usa como desculpa para cobrar bem mais caro por um empréstimo. E quando o assunto é financiamento de carro, a diferença entre ter um bom score e um score ruim pode significar milhares de reais saindo do seu bolso.

O score de crédito: o vilão invisível do seu bolso

Vamos ser diretos: seu score é um número que vai de 0 a 1000 (segundo a maioria das agências de avaliação de crédito brasileiras). Quanto maior, melhor. Quanto menor, mais você paga. Simples assim.

Um score abaixo de 600 significa que você tem histórico de atrasos, dívidas não pagas, negativações ou simplesmente pouco histórico de crédito positivo. Os bancos olham para esse número e pensam: “Esse aqui é de risco.” E quando tem risco, tem que compensar com juros mais altos. É matemática do mercado.

A Serasa e o SPC Brasil são as duas maiores agências que calculam seu score. Ambas usam algoritmos que levam em conta sua história de pagamentos, quantidade de dívidas, diversidade de créditos que você teve acesso e outros fatores. Um atraso de 30 dias num cartão de crédito pode derrubar seu score em 50, 100 ou até 150 pontos. Parece pouco? Espera aí que você vai ver o impacto no seu financiamento.

Segundo dados de 2024, aproximadamente 45% dos brasileiros têm algum tipo de restrição no seu histórico de crédito. Isso significa que quase metade do país está pagando mais caro por tudo que financia. Você é um desses?

A conta que vai doer no seu bolso

A conta que vai doer no seu bolso — score de crédito baixo juros financiamento carro

Vamos aos números concretos, porque cifra alta é o que dói mesmo.

Um carro que custa R$ 50.000 financiado em 60 meses. Com um score acima de 700, você consegue uma taxa de juros de aproximadamente 8% ao ano. Seu pagamento mensal sai em torno de R$ 1.010. O total de juros pagos? Uns R$ 10.600.

Agora vire-se para quem tem score abaixo de 600. A mesma instituição oferece uma taxa de 18% ao ano. Seu pagamento mensal é agora R$ 1.275. Total de juros? Incríveis R$ 26.500.

Diferença: R$ 15.900 a mais que você vai pagar pelo mesmo carro.

Deixa eu colocar isso de outra forma que dói ainda mais: são quase R$ 265 extras por mês, durante cinco anos, só porque seu número no banco é mais feio que o do seu vizinho. Se você tivesse esse dinheiro sobrando, já teria trocado de carro três vezes nesse período.

E aqui está o pior: não são só os bancos que cobram essa taxa. Financeiras especializadas em clientes com score baixo podem ainda exigir uma entrada maior, cobrar seguros obrigatórios mais caros e adicionar taxas de análise que não aparecem no anúncio inicial. É como aquele “desconto” que não é desconto mesmo.

Por que os bancos fazem isso com você

Aqui vem a parte que ninguém quer ouvir: eles fazem porque podem.

Do ponto de vista do banco, alguém com score baixo representa risco real. Estatisticamente, você tem mais chance de não pagar a parcela do que alguém com score alto. Quando você não paga, o banco precisa recuperar aquele dinheiro em algum lugar — e recupera cobrando mais juros dos que consegue emprestar.

Não é injustiça, é mercado. Você paga mais porque você representa mais risco. É o mesmo motivo pelo qual seguro de carro para quem teve três sinistros é mais caro que para quem nunca bateu nada.

Segundo dados do Banco Central, a taxa média de inadimplência em financiamento de veículos entre clientes com score baixo é 3 a 4 vezes maior que entre clientes com score alto. Por isso os juros são tão diferentes. Os bancos não estão sendo malvados; estão protegendo o bolso deles.

Mas conhecer a razão não te faz pagar menos. Então vamos ao que importa: o que fazer com isso.

As três ações que você pode fazer antes de 2026

As três ações que você pode fazer antes de 2026 — score de crédito baixo juros financiamento carro

Primeira ação: pare de pensar que seu score não tem jeito.

Seu score não é permanente. Ele muda toda semana conforme você faz pagamentos em dia, quita dívidas e deixa de ter restrições. Um score que está 550 hoje pode estar 650 em seis meses se você fizer sua lição de casa.

Comece aqui:

  • Consulte seu score gratuitamente no site da Serasa ou do SPC Brasil. Você tem direito a uma consulta grátis por ano.
  • Se tiver dívidas vencidas, procure negociar com os credores. Mesmo que não pague 100%, uma negociação reduz o impacto no seu score.
  • A partir de hoje, pague todas as suas contas em dia. Toda uma. Cartão de crédito, boleto, aluguel, tudo. Isso é mais importante que qualquer estratégia mirabolante.

Segunda ação: comece a construir crédito positivo agora.

Não é tarde para começar do zero. Se você tem um cartão de crédito, use-o para compras pequenas e pague a fatura inteira antes do vencimento. Pode parecer óbvio, mas a maioria das pessoas com score baixo não faz isso. Eles colocam tudo no cartão e pagam só o mínimo. Isso destrói o score mais ainda.

Outra estratégia: se você tem acesso, pegue um empréstimo pequeno no banco — R$ 2.000, R$ 3.000 — e pague religiosamente em dia. Parece louco emprestar quando o score está ruim, mas é um dos jeitos mais rápidos de mostrar ao banco que você está “reformado”.

Terceira ação: quando chegar 2026 e você estiver pronto para financiar, faça cotação em múltiplos lugares.

Não vá só no banco onde você já é cliente. Financeiras especializadas, cooperativas de crédito e bancos digitais às vezes têm critérios diferentes. Alguns bancos combinam score ruim com exigências piores (como garantia de terceiros), mas com juros um pouco menores. Vale investigar.

As consequências que vão além dos juros

Aqui está o que ninguém fala: os juros não são a única coisa que muda quando seu score é baixo.

Primeira: você vai pagar uma entrada maior. Enquanto quem tem score alto consegue entrar com 10% a 20%, você pode ser obrigado a entrar com 30% ou até 50% do valor do carro. Isso aumenta a quantidade de dinheiro que você precisa juntar antes de poder financiar.

Segunda: o prazo do financiamento pode ser menor. Você quer pagar em 72 meses (6 anos)? Prepare-se para ser oferecido apenas 36 ou 48 meses (3 ou 4 anos). Isso reduz o tempo para pagar, e consequentemente aumenta a parcela mensal.

Terceira: seguros obrigatórios. Muitas financeiras exigem que você contrate seguros mais caros como proteção. É como se você fosse um cliente “premium de risco”, pagando mais por tudo.

Quarta: você terá menos poder de negociação sobre o carro em si. Enquanto cliente “primeira linha” consegue descontos na concessionária ou negocia o preço, você entra já fragilizado e aceita o que vem.

O caminho do seu score em 2026

O caminho do seu score em 2026 — score de crédito baixo juros financiamento carro

Se você começar agora — e estamos falando de janeiro ou fevereiro de 2025 — tem tempo de sobra para melhorar o score antes de precisar financiar um carro em 2026.

Seis meses de pagamentos em dia pode melhorar seu score em 100 a 150 pontos. Um ano consegue dar uma reviravolta real. Se você sair de 550 para 650 ou 700, os juros que você conseguir não vão mais ser aqueles 18% assustadores. Você fica mais perto daquele 8% a 10% que muda a vida do seu bolso.

A matemática é implacável. Se você conseguir sair de 550 para 700, você economiza aqueles R$ 15.900 que mencionei antes. Quando você divide isso por 12 meses, são R$ 1.325 por mês que você não precisa pagar. Com esse dinheiro você paga curso, cuidado de saúde, ou até acumula para carro melhor.

Mas isso só acontece se você começar agora. Cada semana que você atrasa é uma semana que o score não melhora.

De volta à concessionária: como deve ser

Lembra daquele cenário lá do começo, onde você entra na concessionária e leva aquele susto com a taxa? Vamos reescrever esse final.

Você entra na concessionária em junho de 2026. Você escolhe o mesmo carro de R$ 50.000. Mas dessa vez, você fez sua lição de casa nos últimos 18 meses. Seu score subiu de 550 para 720. Você levou três cotações diferentes impressas no bolso.

O gerente oferece 16% de juros. Você nem pisca. Você mostra a cotação da financeira concorrente com 11% e diz que o banco dele precisa fazer melhor. Ele faz. Você sai assinando contrato com 10% e entra com apenas 20% de entrada, não 50%.

Na hora de calcular: R$ 50.000 em 60 meses a 10% de juros são R$ 1.060 de parcela, com R$ 13.600 de juros totais. Comparado com o cenário onde seu score continuou 550, você economizou R$ 12.900. Mais de mil reais por mês.

Esse não é um cenário de ficção. É o que acontece quando você toma controle do seu score em vez de deixar o score tomar controle de você.

Perguntas Frequentes sobre Score de Crédito e Financiamento de Carro

Como um score de crédito abaixo de 600 afeta as taxas de juros no financiamento de carro?

Um score abaixo de 600 é sinal de risco para os bancos, então eles cobram juros muito mais altos como compensação. Enquanto clientes com score acima de 700 conseguem taxas entre 8% e 10% ao ano, quem tem score baixo pode pagar 16%, 18% ou até 22%. Isso pode resultar em R$ 10 mil a R$ 20 mil reais de diferença no total de juros pagos ao longo do financiamento de um carro.

Quais são as principais consequências de ter um score de crédito baixo ao solicitar financiamento de carro?

Além dos juros mais altos, você enfrenta entrada mais exigente (30% a 50% do valor), prazos menores de financiamento (o que aumenta a parcela mensal), obrigatoriedade de seguros mais caros e menor poder de negociação sobre o preço do veículo. Alguns bancos podem até exigir que você tenha um avalista com score melhor para aprovar o financiamento.

É possível melhorar o score de crédito rapidamente para conseguir melhores condições de financiamento?

Sim, mas não da noite para o dia. Seis meses de pagamentos em dia podem melhorar seu score em 100 a 150 pontos. Um ano de pagamentos pontuais e negociação de dívidas vencidas pode resultar em melhoria de 200 a 300 pontos. O segredo é pagar contas em dia, reduzir quantidade de dívidas ativas e evitar novas restrições.

Quais instituições financeiras oferecem financiamento de carro para pessoas com score de crédito baixo?

Praticamente todos os bancos financiam para score baixo, mas com taxas muito mais altas. Financeiras especializadas em crédito para pessoas com restrição, cooperativas de crédito e bancos digitais às vezes têm critérios mais flexíveis, mas cobram taxas compensatórias. O importante é não parar na primeira recusa — cotação em múltiplos lugares faz diferença real no contrato final.

Quanto tempo leva para um score abaixo de 600 voltar ao normal?

Depende do que derrubou seu score. Um atraso recente é recuperado em 3 a 6 meses de comportamento correto. Uma negativação pode levar 12 a 24 meses para sair de seu histórico, mesmo que você negocie a dívida. O ponto é: quanto antes você começar a pagar tudo em dia, mais rápido você sai dessa fossa.

Vale a pena financiar um carro com score abaixo de 600 ou é melhor esperar?

Se você realmente precisa do carro agora, considere financiar com as piores condições (juros altos) apenas o tempo necessário, mas dedique-se a melhorar o score. Se você pode esperar 6 a 12 meses, vale muito mais a pena investir esse tempo melhorando seu score antes de financiar. A economia de juros pagará a pena de usar ônibus ou carro emprestado por mais um tempo.

Especialista em Financas e Investimentos
Especialista em financas pessoais, credito e investimentos com mais de 8 anos de experiencia analisando o mercado financeiro brasileiro. Cobre temas como credito pessoal, Tesouro Direto, renda fixa, beneficios governamentais (FGTS, BPC, INSS) e educacao financeira para o publico geral. Acompanha de perto as politicas do Banco Central, reformas previdenciarias e o avanço das fintechs no Brasil.

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